Com uma população evangélica crescente, o Brasil já é visto como a nação mais promissora, depois dos EUA, para investimentos no segmento

Por Oziel Alves

Na foto, Kevin Hyer, diretor executivo do grupo Word Entertainment nos Estados Unidos, pela primeira vez no Brasil.

Os olhares da indústria fonográfica gospel internacional estão voltados para o Brasil. O aumento significativo do consumo e da população evangélica, surpreende a todos. Aqui, a fé não só move montanhas; como também movimenta milhões de reais com o comércio de produtos e serviços para o público cristão. R$ 1,5 bilhão por ano, para ser mais preciso. O público evangélico brasileiro saltou de 4,8 milhões em 1970 para mais de 26 milhões no ano 2000 (IBGE). Considerando uma taxa de crescimento anual de 6%, estima-se que ainda neste ano, o número de evangélicos ultrapasse os 45 milhões e assim, em 2020 – 129 milhões de pessoas – chegando a metade da população brasileira. Este panorama, que tem surpreendido a todos, por caminhar na contramão das principais nações do planeta, e que, contribuí para uma mudança gradativa da cultura no país, tem despertado também, a atenção das grandes corporações do segmento.

“Eu tenho ciúmes de vocês, brasileiros”, disse, descontraidamente o australiano Graham Williams, Diretor Internacional de Vendas do grupo Hillsong Music, que veio a ExpoCristã 2010 para o lançamento da parceria com o grupo CanZion Brasil; agora, distribuidora oficial do grupo Hillsong para toda a América Latina. Williams estava se referindo ao crescimento da população evangélica no país, em comparação ao decréscimo avassalador do Cristianismo em praticamente todos os 47 países da Europa. “Vocês são uns privilegiados” disse Ele. “Parece que só agora, o mundo começa a notar a importância deste país, que se levanta como um gigante, ocupando a segunda posição, no ranking dos países com maior população evangélica do mundo”.

De fato, Williams tem razão. Em número de evangélicos, o Brasil só perde para os Estados Unidos, onde, apesar da constante queda, 57,9% da população, ainda se diz protestante.
“7% do nosso faturamento está aqui, mas este índice cresce a cada ano, e ao que tudo indica deve nos surpreender em pouquíssimo tempo” disse o americano Kevin Hyer, diretor executivo para assuntos internacionais do grupo Word Entertainment, que pela primeira vez veio ao Brasil e esteve na ExpoCristã 2010, para consolidar a parceria de distribuição nacional com a BV Films.

Hyer, que representa artistas como Jaci Velasquez, Salvador, Nataly Grant, entre outros, salienta que uma possível mudança cultural deve acontecer a curto prazo. “Se antes o Brasil era pouco visitado por artistas internacionais, hoje, o que todos querem é ter uma passagem pelo país o mais rápido possível. Apesar de apenas 5% da população aqui, falar inglês, a rota dos grandes espetáculos, que normalmente começam pela Europa e EUA, a partir de agora, deve privilegiar o Brasil já no início de suas turnês”.

É impossível negar. Se ainda há qualquer tipo de preconceito com o gênero gospel no Brasil, em pouco tempo isso deve acabar. As grandes empresas de entretenimento, comunicação e mídia como Sony, Som Livre, Rede Globo entre outras, rapidamente, se renderam a cultura cristã, que se impõe sem maiores alardes. A mensagem que o povo manda nas entrelinhas é facilmente entendida: “quer sobreviver, economicamente? nos ofereça produtos compatíveis com nossa fé”. Assim, no começo deste ano, a Sony Music criou o departamento gospel de sua gravadora – o primeiro da instituição no mundo -, que em menos de 6 meses superou os objetivos iniciais, estabelecidos pela empresa no país; A Som Livre passou a distribuir CDs e DVDs gospel, investindo num marketing acirrado, até mesmo no horário nobre da maior emissora do país. A Rede Globo, que nunca havia dado espaço aos evangélicos, começa incluindo músicas em suas novelas e privilegiando artistas com apresentações ao vivo, como é o caso de Fernanda Brum, Aline Barros e Diante do Trono que, recentemente, se apresentaram no programa Domingão do Faustão.

Diante dos números, a melhor solução, mesmo, é render-se. Na contramão das tendências, o gênero gospel é o único do segmento fonográfico que cresce no Brasil e um dos poucos que consegue sobreviver, exclusivamente da venda do CD físico, já que a pirataria no segmento é bem menor se comparada àquela que dizima a classe secular. Pelo segundo ano consecutivo, o mercado musical brasileiro, apesar das expectativas pessimistas, cresceu 8% graças ao povo evangélico. Em 2009 o setor movimentou $ 175 milhões de dólares com a venda de música no formato (CD, DVD, Blue-Ray) além dos formatos digitais que já representam 11% do faturamento e prometem bancar o futuro do mercado músical, seguindo a trilha do mercado americano.

Dinheiro é importante. Movimenta o mundo. Mas o que todos, verdadeiramente comemoram é que através da música, o Ide e Pregai o Evangelho a Toda Criatura está realmente dando certo.

VENDAS – MERCADO DA MÚSICA GOSPEL NO BRASIL

· Áudio (CDs) 60%
· Video (DVD’s) 28.1%
· Digital (Mídia Online) 11,9%

INFORMAÇÕES IMPORTANTES SOBRE O BRASIL

· É o quinto maior país do mundo, com 190 milhões de habitantes;
· É o país com maior economia nacional da América Latina;
· É uma das economias que mais cresce no mundo (5% ao ano);
· Os evangélicos cresceram de 2.6% para 29% em 20 anos, enquanto que a proporção de católicos caiu de 95% para 63%;
· Todos os anos, abrem, aproximadamente 10 mil novas igrejas; que se agregam as 200 mil já existentes;
· 300 mil novos pastores e lideres são consagrados;
· Cerca de 500 escolas de educação teológica são abertas

Fonte: Oziel Alves